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Votação de lei expôs sociedade israelense profundamente dividida

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Placar eletrônico destaca o resultado da votação no parlamento israelense

Se a Lei Básica do Estado Nação do Povo Judeu pretendia dar expressão à identidade nacional de Israel, sua votação acabou revelando uma sociedade israelense profundamente dividida. O projeto foi aprovado por um placar bastante apertado. Foram 62 votos a favor, 55 contrários e duas abstenções. 

Confira a repercussão do resultado.

“Este é um momento decisivo nos anais do sionismo e nos anais do Estado de Israel. (...) Determinamos na lei o princípio fundador de nossa existência. (...) Israel é o estado-nação do povo judeu e respeita os direitos de todos os seus cidadãos”.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.


"Apartheid!"
Ayman Odeh, líder da lista conjunta de partidos predominantemente árabes, que ocupa 13 cadeiras e é o terceiro maior bloco do Parlamento.


"O fim da democracia. O início oficial do fascismo e do apartheid. Um dia negro (outro dia negro)"
Ahmad Tibi, legislador árabe, no Twitter.


"Eu não concordo com os que dizem que esta é uma lei do apartheid. Não forma duas normas legais separadas aplicáveis a judeus ou não-judeus. [Porém,] Mesmo que seja apenas declarativo e não mude nada no futuro próximo, tenho 100% de certeza de que vai piorar o sentimento dos não-judeus e especialmente da minoria árabe em Israel"
Amir Fuchs, especialista em processos legislativos no The Israel Democracy Institute, grupo de pesquisa independente em Jerusalém.


"Essa não é uma decisão que eu esperava da liderança do Likud"
Benny Begin, filho do ex-primeiro ministro israelense Menachem Begin, fundador do Likud (partido de Netanyahu), que se absteve de votar, alertando para a crescente desconexão do partido em relação aos direitos humanos.


"Uma pílula venenosa para a democracia"
Yael German, parlamentar do partido de oposição centrista Yesh Atid


"[A nova lei] dará origem a argumentos de que os judeus devem gozar de privilégios, subsídios e direitos, devido ao status especial que esta lei pretende dar ao povo judeu em Israel. A esse respeito, essa é uma lei racista”
Dan Yakir, diretor jurídico da Associação pelos Direitos Civis em Israel


“Essa lei deveria ter sido aprovada anos atrás. Desde o estabelecimento do país, Israel aprovou 13 leis básicas [Israel não tem uma Constituição] que lidam com a separação de poderes, como a dignidade humana e com a liberdade. Essa lei acrescenta um elemento que estava faltando: o caráter especial do Estado como pátria judaica”
Netanel Fischer, professor do Centro Acadêmico de Direito e Ciência Shaarei Mishpat. 


"[A nova lei] fortalece os privilégios dos cidadãos judeus, ao mesmo tempo que ancora a discriminação contra os cidadãos palestinos e legitima a exclusão, o racismo e a desigualdade sistêmica"
Adalah, centro legal que defende os direitos árabes em Israel


"Usaremos todos os meios legais disponíveis para desafiar essa nova lei e promover o judaísmo reformista e progressista em Israel"
Rabino Rick Jacobs, presidente da Union for Reform Judaism, sediada em Nova York.


"O grande espírito de Ben-Gurion e dos pais fundadores era que eles sabiam como se adaptar aos tempos. (...) Netanyahu e seus colegas estão agindo como se ainda estivéssemos na batalha de 1948, ou em uma era anterior"

Avi Shilon, historiador israelense da Universidade de Ben-Gurion do Neguev e no campus de Tel Aviv da Universidade de Nova York.


"O estado de Israel é o meu país e a minha casa, e dei-lhe o que é mais querido para mim, e continuo, e vou continuar, a servi-lo com amor (...) A lei da nacionalidade é uma marca de Caim na testa de todos que votam nela".
Shakeeb Shnaan, ex-parlamentar do Partido Trabalhista, membro da comunidade drusa. Seu filho foi um dos dois policiais drusos mortos por cidadãos árabes de Israel em um ataque a tiros há um ano, em Jerusalém.



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