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Presidente do IBI envia carta à Ombudsman da Folha

Por IBI | Categoria: Noticias
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A controversa imagem que circulou o mundo: mãe da bebê Layla Ghandour segura o corpo da filha (Crédito AFP)

David Diesendruck, presidente do IBI, enviou carta à Ombudsman da Folha manifestando preocupação com os danos causados pela guerra de informações no contexto dos últimos acontecimentos em Gaza.

Confira abaixo a íntegra:

"Prezada Paula Cesarino Costa,

A foto de Layla Ghandour, menina palestina de 8 meses, morta nos braços da mãe, ecoou na imprensa internacional e brasileira, estampando a capa da Folha e de outros jornais do país. A imagem chocou as pessoas. Era um retrato da violência na fronteira entre Gaza e Israel e da desproporcionalidade de forças. Tornou-se um símbolo.

Dias depois, começaram a surgir informações contraditórias sobre o que teria provocado a morte de Layla: o gás lacrimogêneo disparado por Israel (como era dito pela família) ou uma doença congênita pré-existente (como atestou um médico de Gaza).

A Folha voltou ao assunto no sábado, 19/05, em página inteira, traduzindo matéria do The New York Times. Mas sem o devido destaque para as informações do médico, maior autoridade no assunto: o ponto de vista não foi incluído no canto superior direito da página, junto ao resumo dos demais pontos de vista - da Família, do Exército de Israel e do Hamas. Também a legenda da foto que ilustrava a matéria desconsiderava a versão do médico, que era justamente a novidade: "Mãe de Layla Ghandour abraça o bebê em necrotério em Gaza; segundo Hamas e família da criança, gás lacrimogêneo lançado por Israel foi responsável pela morte".

Na quinta-feira, 24/05, uma reviravolta: o jornal inglês The Guardian informou que Layla foi retirada da lista de mortos nos embates pelo Ministério da Saúde de Gaza, até que sejam concluídas as investigações - o que foi noticiado pela Folha na sexta, sem foto, no rodapé da página.

A imagem, assim, passou a ser símbolo de outra coisa: não mais dos campos de batalha na fronteira entre Gaza e Israel, mas da guerra de informações. O dano causado é difícil de ser reparado. Mas talvez pudesse ser mitigado com considerações em artigo na coluna da Ombudsman. 

Desde já agradeço sua atenção.
Atenciosamente,

David Diesendruck
Presidente do Instituto Brasil-Israel"

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