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O Brasil e a Paz no Oriente Médio: Webinar do IBI com Judeus pela Democracia

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Dia 08 de julho ocorreu um evento online, cujo tema era as relações diplomáticas entre o Brasil e o Oriente Médio ao longo de diversos momentos da história desses países. O conteúdo da palestra enunciou questões como as continuidades e rupturas diplomáticas, os momentos marcantes de Resoluções da ONU, Acordos de Paz, experiências, percursos e as construções da diplomacia Brasileira.

Esse evento teve a mediação de Karina Caladrin, professora e coordenadora do curso de Relações Internacionais do Unisagrado e doutoranda em Relações Internacionais pelo San Tiago. Teve como palestrantes: Celso Amorim, ex ministro das Relações Exteriores do Brasil (1993 e 1994) e ex ministro da Defesa (2011 e 2010) e Guilherme Casarões, que é Doutor e Mestre em Ciência Política na USP, Mestre em Relações Internacionais na UNICAMP, Visiting fellow Tel Aviv University (2011) e Brandeis University (2015). No início, o evento contou com a presença de Beni Iachan que representou o movimento Judeus pela Democracia.

Guilherme Casarões abordou os fundamentos da diplomacia brasileira a partir dos princípios de universalismo e multilateralismo, ideias que basearam essa trajetória até 2018, quando a eleição de Jair Bolsonaro refundou o modo de operar as relações com os países árabes e com Israel. O Brasil, até 2018, esteve presente nos Acordos de Paz (que, segundo Casarões, “é como se fosse uma porta de entrada diplomática para outros países latinoamericanos”), e também negociou acordos econômicos em outros períodos com países árabes.

Casarões utiliza marcos temporais para explicitar as diferenças de posicionamentos em relação às questões do Oriente Médio e de Israel. Citou, por exemplo, o acontecimento emblemático do embaixador Oswaldo Aranha como presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 1947, que conduziu a sessão em que foi aprovada a Resolução 181 (Plano de Partilha). Em contraponto, Casarões também menciona outro caso, dessa vez do Chanceler Azeredo da Silveira que em 1975 se pronunciou a favor da resolução 3379, que assemelhava o sionismo com o racismo. Esse posicionamento se utilizou de Israel como elemento de confrontação com os EUA, provocando um afastamento, pois o anti-americanismo por parte da diplomacia brasileira era também uma forma de costurar as relações externas.

Ao finalizar sua fala, mencionou as diversas rupturas da diplomacia do governo Bolsonaro. As rupturas principais foram com o multilateralismo e a aproximação extremada com Israel, explicada principalmente pelo “movimento de adesão às diretrizes evangélicas”, e com os Estados Unidos.

Ao passar a palavra para Celso Amorim, o diplomata e ex ministro das Relações Exteriores relembra seus momentos desafiadores em episódios marcantes dos países do Oriente Médio, tais como a Guerra do Golfo, a Intifada e o bombardeio em Gaza. Declara também em sua fala, no início e no final, os problemas do projeto de anexação de terras da Cisjordânia por Bibi Netanyahu e do “Acordo do século” proposto por Trump. Amorim concorda com Casarões na parte em que vivemos um momento de ruptura da diplomacia brasileira e que talvez seja irreversível para as boas relações e para o comércio externo. Afirma que além dessa ruptura, “tínhamos um anti-americanismo agora temos um exagero do americanismo”, e que “essa fidelidade canina ao Trump leva ao apoio à Israel”, e isto, por fim, “dificulta ainda mais uma possível solução de dois estados para Israel e Palestina”.

A Webinar foi riquíssima e com perguntas muito pertinentes, está disponível aqui. Assista lá e nos siga nas redes sociais!

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