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IBINews 200: Guerra gera guerra

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Quase metade da população palestina acredita que a maneira mais efetiva de acabar com a ocupação israelense passa pela luta armada. Esse número já foi menor, e aumentou após a último embate entre Israel e o Hamas.

O PCPSR - The Palestinian Center for Policy and Survey Research, instituição não governamental de pesquisas de opinião e análise de conjuntura, divulgou esta semana uma sondagem feita junto à população da Cisjordânia e de Gaza mostrando um ceticismo profundo com relação a uma solução pacífica para o conflito israelense-palestino.

Quase metade da população – 48% precisamente – acredita que a resolução passa necessariamente pela luta armada. Só 27% defendem a diplomacia, e 18%, formas de mobilização não-violentas, que podem incluir protestos, embargos e campanhas internacionais.

Seguindo adiante, 62% dos palestinos se opõem à solução de dois Estados - que é defendida pelas Nações Unidas. 44% acreditam que a criação de um Estado Palestino é uma questão central, e 73% não acreditam que isso acontecerá nos próximos 5 anos.

A percepção de ausência de perspectiva se reflete também no desejo de emigrar, compartilhado por nada menos que 27% da população.

Não espanta que, nesta conjuntura, o termômetro político mostre um apoio maior ao Hamas. Se as eleições fossem hoje, o grupo, que aposta na via do confronto, receberia 37% dos votos, enquanto o Fatah, de tendência mais moderada, ficaria com 32%.

Do lado israelense, as notícias também não são muito animadoras. Alguns acenos de paz foram feitos por ministros do novo governo, em um raro encontro com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Porém, neste âmbito, o discurso do premiê Naftali Benett na Assembleia Geral das Nações Unidas, foi um banho de água fria: entre as mais de 2000 palavras proferidas, nenhuma sequer mencionou os palestinos. É um silêncio eloquente.

Em termos estatísticos, atualmente apenas 40% dos israelenses apoiam a solução dos dois Estados. O dado, neste caso, é de uma outra pesquisa, publicada pelo Instituto Democrático de Israel. 

O que chama a atenção é que, tanto entre os israelenses como entre os palestinos, a deterioração do apoio às negociações de paz aumenta significativamente nos períodos posteriores aos confrontos armados – o último deles, ocorrido em maio.

O apoio a uma solução de dois Estados entre israelenses já chegou a 70%, em 2007. Entre os palestinos, em março deste ano, dois meses portanto antes da guerra, 37% defendiam a luta armada e 36%, a diplomacia.

Como escreveu nossa correspondente Daniela Kresch, “a violência fortalece os radicais e a democracia, os moderados”.

“A razão disso é a impressão generalizada de que esforços diplomáticos nos 'tempos de paz' não são suficientes para alterar o status quo", afirma o Diretor do IBI, Daniel Douek, em entrevista ao Jornal Nexo. "Assim, de tempos em tempos, questões estruturais não resolvidas retornam em forma de mais violência. Confrontos armados são pontos de inflexão que produzem maior apoio à resistência armada em detrimento das negociações”.


Confira os Destaques da semana!

Durma com essa: O IBI foi destaque no podcast "Durma com essa", do Jornal Nexo. O repórter especial João Paulo Charleaux mencionou o trabalho do Instituto em reportagem sobre a pesquisa que mostra percepções da sociedade palestina. Ouça a partir do minuto 15:30.

32 horas de evento na USP: Nesta semana ocorreu o Congresso Nacional de Pesquisadores de Estudos Judaicos 2021, realizado pelo Centro de Estudos Judaicos da Universidade de São Paulo com o apoio do IBI. Foram quatro dias de evento, com 18 mesas de debate e 86 palestrantes. Houve, ainda, conferência ministrada pelo escritor Lira Neto, homenagens às professoras Rifka Berezin z'l e Anita Novinsky z'l e apresentação da Orquestra Laetare. A abertura contou com a participação de Suzana Chwartz, Coordenadora da Pós-Graduação em Estudos Judaicos e Árabes e diretora do Centro de Estudos Judaicos, Bruno Szlak, presidente Associação de Amigos do Centro de Estudos Judaicos da USP (AACEJ), Ary Plonski, presidente do Conselho Deliberativo da AACEJ, e Paulo Martins, Diretor da FFLCH-USP. Veja.

Combate ao antissemitismo: Fernando Lottenberg, integrante do Conselho Consultivo do IBI, foi nomeado primeiro comissário da Organização dos Estados Americanos (OEA) para monitoramento e combate ao antissemitismo. “O principal desafio é conscientizar os países de que o antissemitismo não é um problema apenas das comunidades judaicas, mas das sociedades que fazem parte do continente; é uma questão ligada à defesa da democracia e dos direitos humanos”, disse Fernando, em entrevista à Folha de S. Paulo. Leia.

Nazismo e as práticas médicas: No "E eu com isso?" da semana, Anita Efraim e Amanda Hatzyrah conversaram sobre as práticas médicas do nazismo e o caso Prevent Senior com a microbiologista e integrante do Conselho Consultivo do IBI Natália Pasternak e com o historiador e assessor acadêmico do IBI Michel Gherman. Ouça.

O tema também foi tratado em artigo publicado no caderno Ilustríssima, da Folha. Leia.

Anote na agenda: É possível prevenir as discriminações? Essa é a pergunta norteadora do webinar com a participação de Bianca Bastos, Fábio Silva e Telmo Kiguel. A mediação será de Desirée Puosso. Quarta-feira, 13/10, 17:30. Acompanhe ao vivo.

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