José Padilha fala sobre seu novo filme, “7 dias em Entebbe”
08 fev 18

José Padilha fala sobre seu novo filme, “7 dias em Entebbe”

Em entrevista à Folha, o diretor brasileiro José Padilha contou sobre seu próximo filme “7 Dias em Entebbe”, no qual narra uma das operações militares mais famosas da história de Israel. O cineasta falou sobre os interesses envolvidos em decisões complexas como aquela e do atual conflito israelo-palestino, que, segundo ele, é um dos assuntos mais boicotados do mundo. Leia abaixo.

Como esse novo filme se encaixa na sua obra?

Ele conta a história verídica de um sequestro sob o ponto de vista de dois sequestradores alemães e dois políticos israelenses [em 1976, um voo que ia de Tel-Aviv a Paris foi forçado a pousar na Uganda; os passageiros judeus foram tornados reféns para exigir a libertação de presos, em sua maioria palestinos].
É um caso específico, limítrofe, entendido no mundo como a operação especial mais incrível da história. Tropas de Israel foram até a Uganda, oito horas de avião, para libertar cento e tantos reféns e trazê-los de volta para casa. É quase impossível fazer isso.
O filme discute esse evento, mas não a parte militar. Olhamos para a parte política e a lógica dos sequestradores. A ideia é mostrar a complexidade do processo decisório dentro do governo de Israel na ocasião, com Yitzhak Rabin mais propenso a negociar e Shimon Peres não querendo negociar de jeito nenhum. Essa dicotomia entre “vamos negociar” e “não vamos negociar” é a variável mais importante para a solução do problema palestino.
No mundo inteiro, o político opera com duas lógicas: precisa debater os fatos objetivamente, pensar o que deve ser feito ou não com base em questões econômicas e éticas, por exemplo, mas também tem a lógica da política interna, que diz o que ele pode fazer de acordo com sua base eleitoral. Essas lógicas podem ser incompatíveis.
O mesmo se aplica à questão de Israel e Palestina. Para se eleger em Israel, [o político] tem que ter uma série de posições, e isso contamina [as decisões] com relação a diferentes assuntos, inclusive a crise com a Palestina. E o mesmo é válido para o lado palestino. Isso restringe a capacidade de ambos de negociar. O filme é sobre isso.

Leia a entrevista completa no site da Folha.

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