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Nota sobre cancelamento de palestra na UPE e os ataques à universidade


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Essa semana, pressões de grupos contrários à realização de uma palestra sobre os dilemas no processo de paz entre israelenses e palestinos na Universidade de Pernambuco, que envolveram ameaças ao professor, ao palestrante e à universidade, levaram a seu cancelamento.

Entendemos que a pressões desse tipo não condizem com os princípios de autonomia, liberdade de expressão e troca de ideias que deveriam prevalecer no ambiente universitário. Nesse sentido, em vez da interdição do debate, melhor seria a realização de mais e mais debates. E a alternativa a perspectivas únicas, como foi alegado, seria a inclusão de outras perspectivas à mesa. A pluralidade de ideias é pré-requisito para entendimentos mais aprofundados da temática.

Ao mesmo tempo, são inaceitáveis os ataques à universidade e as ameaças a seus profissionais, sejam aqueles por parte dos grupos contrários a palestra, quando esta foi anunciada, sejam aqueles por grupos favoráveis a ela, após o seu cancelamento.

O ocorrido acabou criando uma falsa dicotomia entre grupos que interditam o debate e grupos que desqualificam a universidade como ambiente de reflexão e a instrumentalizam como plataforma de propaganda. Tais grupos não estão em lados opostos, seria ilusão achar que discordam: quem desqualifica a universidade, faz coro com quem interdita o debate.

A universidade livre é uma conquista da modernidade, e se engana quem pensa que sua existência está garantida para as próximas gerações.

Num momento em que as universidades públicas têm sido alvo constante de setores da sociedade brasileira, é preciso, antes de tudo, fortalecer as premissas que lhes dão sentido.

INSTITUTO BRASIL-ISRAEL
22 de agosto de 2019

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