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Morris Kachani, do Estadão, entrevista Michel Gherman


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O colaborador do IBI, Michel Gherman deu uma entrevista a Morris Kachani, do Estadão, sobre a viagem do presidente Jair Bolsonaro a Israel. Parte do conteúdo foi publicado na edição desta quinta-feira, 4 de abril, e a íntegra no blog do jornalista, "Inconsciente Coletivo".

Confira uma parte da entrevista abaixo:

Historicamente, o que representa a visita de Bolsonaro a Israel?
A visita do presidente brasileiro a Israel tem muito mais relação com o Brasil do que com Israel. Se Bibi Netanyahu se esforça para mostrar que se expande em termos de relações internacionais e de contatos com líderes mundiais, Bolsonaro vê sua visita como um marco teológico-civilizatório. Digo o seguinte: que para Bibi, a visita é pragmática e Bolsonaro é apenas mais um líder que chega a Israel. Poderia ter ajudado mais, transferindo a embaixada para Jerusalém, mas a vinda já demonstra que Bibi está rompendo o isolamento internacional.
Para o presidente brasileiro, não. A visita a Israel significa uma mudança radical na política externa. O Brasil sai do pragmatismo político e entra na estrada de uma política internacional hiper ideológica. Ideológica e teológica. A visita de Bolsonaro a Israel tem como objetivo agradar o eleitor evangélico, mas não só. Sua política internacional acredita em forças do bem combatendo o mal, em uma disputa de civilizações.
Não é casual que a terceira viagem internacional seja a Israel. Temos um grupo que crê que a aproximação do Brasil a Israel ocupa uma etapa teológica, em uma expectativa escatológica, de retorno de Jesus, mas temos outro grupo (esse parece ser efetivamente o grupo de Bolsonaro) que acredita em uma Israel imaginária, que combate os barbáros, que derruba o terrorismo, que é baseada em uma lógica judaico-cristã (seja lá o que isso signifique).
A visita de Bolsonaro é histórica, porque ignora a Israel real e investe naquela Israel de seus sonhos. Vai ao Muro das Lamentações, atira com arma, enfim, dá vazão a seus desejos. Faz isso ameaçando interesses econômicos, lógicas de mercado, tirando o Brasil do pragmatismo internacional, colocando-o em perspectivas apenas ideológicas. A visita de Bolsonaro a Israel prova o que muitos já desconfiavam: o liberalismo do governo dele pode terminar na porta da igreja, ou do quartel.

Leia a entrevista completa aqui


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