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Vamos falar sobre o orgulho de ser judeu

Por Leandro Laskowsky
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Por causa do antissemitismo latente que vem assombrando o mundo inteiro, a AJC instituiu o dia de hoje como o Jewish And Proud Day, onde nós, judeus, devemos mostrar para o mundo que não temos vergonha de sermos quem somos e que o preconceito e o ódio contra nós devem acabar de vez.

Isso não é difícil de fazer. Eu tenho o maior orgulho de ser judeu. Minha formação judaica é a responsável por eu ser quem sou. Tudo que apresenta algum tipo de temática judaica eu vou atrás, seja palestras, livros, filmes, músicas.. A história do nosso povo é rica e plural, tem para todos os gostos. Eu leio Amós Oz e Etger Keret, vejo Billy Wilder e Mel Brooks, escuto Barbra Streisand e Billy Joel. Somos uma comunidade plural e diversa. Não a toa que o político que mais abomino e o político que mais admiro são judeus.

Meu humor veio totalmente do humor judaico, seja pelo meu avô, seja pelos comediantes que busquei me inspirar ao longo dos anos. Se vocês me acham engraçado, saibam que a cultura judaica é responsável por isso. Minha preocupação com causas sociais também. Até minha opinião negativa sobre mim mesmo, tudo tem sua origem no mesmo lugar.

Não falarei sobre religião, porque isso não é tão importante para mim. Respeito as tradições muito mais pelo nosso legado e nossa história, vinda de gerações e gerações, do que necessariamente por uma crença religiosa. Acho que, por mais que alguns digam que não, o judaísmo engloba toda uma variedade de coisas que não se limitam somente a uma crença e pronto. São suas ações e confianças no que você acha certo e o caminho que o leva a realiza-las. É passar seu conhecimento adiante e receber conhecimento de quem você menos esperaria. É ajudar na Construção do Mundo. É fazer Tsedaká, que não quer dizer “caridade”, quer dizer “justiça social”. Um mundo mais igualitário, um mundo mais justo para todos. É isso que eu tiro do meu legado e da minha cultura. O que adiantaria eu ir à sinagoga todo Shabbat e não ter boas ações depois?

De uns anos para cá, vocês devem ter percebido que me afastei do judaísmo. Não é verdade, nunca me afastei do judaísmo e nem me afastarei. Me afastei, sim, da comunidade judaica paulistana. Ou da maior parte dela. O máximo que faço é trabalhar, com muito orgulho, em uma escola judaica maravilhosa. Infelizmente, a comunidade judaica paulistana e carioca, em sua maioria, foi por um caminho que eu discordo veementemente. Cada um tem seu motivo, claro, mas tenho muita dificuldade em aceitar meus valores judaicos ao lado dos valores judaicos de quem só se importa com o próprio umbigo. Independentemente se faz “caridade” ou não.

Sei que isto não representa nossa comunidade mundial, já que a maior parte de grupos com os quais eu concordo e dos quais apresentam bons valores são muitas vezes chefiados ou popularizados por judeus. Grupos que discutem o meio ambiente, a mudança climática, a enorme desigualdade social, os direitos de povos marginalizados, etc.. Grupos que atacam de frente toda forma de fascismo, nazismo e autoritarismo, seja protestando pacificamente ou, em casos extremos, violentamente. É um imenso prazer ver judeus lutando por um mundo melhor ao redor do mundo, e me dá um enorme orgulho de ver os nossos valores judaicos fortes e prontos para fazerem a diferença.

Como um certo futuro presidente norteamericano, o mais amado do país. Ele é nosso e tem muito orgulho disso. E é o que mais representa nosso judaísmo. Não acredite se te disserem o contrário.

É isso que sempre faço questão de destacar quando vejo algo antissemita por aí. Há pessoas que infelizmente veem um microcosmo de judeus e pensam que eles representam a todos e todas. Isso causa raiva em muita gente. Causa desilusão. A melhor forma que vejo para combater esses comentários é discutir e conversar. Muitas vezes, isso vem de uma ignorância sobre o cenário global e tudo o que é necessário é simplesmente mostrar para a pessoa da onde vem o preconceito dela. Conversem em vez de cancelarem. Serve para todos os lados. Claro, se você ver alguém com o símbolo nazista na rua, não há diálogo. É melhor quebrar na porrada mesmo.

Escrevi bastante, agora vou ao Cinema. Provavelmente, ver um filme israelense. Que vocês tenham um bom dia do orgulho judaico e que sempre levem seus valores judaicos em conta, aqueles que você preza e que você põe em prática diariamente. Eu, com certeza, irei.

Ah, isso serve para quem não é judeu também. Ninguém foi escolhido aqui. Somos todos iguais.



Leandro Laskowsky é estudante de Pedagogia e já trabalhou com Cinema e Publicidade. Trabalha na Escola Alef Peretz, no Clube Hebraica.


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