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A estratégia de Israel para frear o Hamas

Por Jorge Zaverucha
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Desde que o Hamas tomou Gaza, em 2007, das mãos do Presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, Israel já guerreou três vezes com o grupo islamita — 2008/09, 2012 e 2014. Atualmente, prepara-se para o quarto conflito. Até agora o objetivo israelense tem sido o de dissuadir o Hamas. Ou seja, fazer com que os custos de um novo conflito sejam tão altos que a organização terrorista tema entrar em enfrentamento. Pune-se o Hamas militarmente para que a calma seja restabelecida. Entretanto, esta política vem apresentando resultados insatisfatórios sob o ponto de vista israelense, já que o grupo mostra resiliência, como sugerem os três conflitos acima mencionados.

Nunca houve um interesse estratégico por parte de Israel em acabar com a total capacidade militar do Hamas. Israel não tem interesse em conquistar e governar Gaza e os dois milhões de palestinos que lá residem. O problema será quem colocar no lugar do grupo islamita pois dificilmente a Autoridade Palestina aceitaria esta missão. Esta equação política não parece ter sido resolvida ainda. Pois independe da vontade monocrática de Israel.

O custo para Israel manter uma prolongada guerra de atrito tornou-se inviável. A Operação Escudo Protetor, em 2014, durou cerca de dois meses, algo muito demorado para os recursos humanos, econômicos e sociais do país. Esta avaliação resultou, portanto, numa mudança de estratégia. Na próxima guerra, Israel tratará de liquidar todo o aparato militar do Hamas, de tal modo que ele não possa se reerguer. Será uma guerra devastadora.

O grupo islamita, desde 2016, não cessa de se fortalecer militarmente, esperando o momento adequado para desferir novo ataque contra o Estado Judeu. Sua indústria doméstica continua fabricando mísseis e obuses mortais, até um comando naval está sendo treinado para penetrar em território israelense. O grupo prossegue construindo novos túneis direcionados ao território inimigo. Este é seu grande trunfo. Convém lembrar que em 2014, terroristas entraram em Israel, via túnel, e mataram cinco soldados. Espalharam pânico na população fronteiriça. Túneis, também, continuam sendo construídos na cidade de Gaza em grande profusão. Eles permitiram às forças do Hamas provocar baixas nas tropas israelenses. É provável que o mesmo ocorra em futura guerra, por mais que Israel tenha apurado sua atuação neste tipo de guerra.

Israel não tinha resposta militar satisfatória para uma possível invasão dos terroristas a cidades fronteiriças por meio de uma rede de túneis do Hamas. A solução encontrada foi construir um muro subterrâneo e acima da terra. Trata-se de uma obra de 60 quilômetros ao longo da fronteira terrestre. Além de um píer marítimo. O muro terá seis metros de altura e 40 metros de profundidade e estará equipado com sofisticados sensores que identificam movimentos subterrâneos de indivíduos e armamentos. Pura tecnologia israelense. O custo da obra está orçado em 568 milhões de dólares americanos. 

O muro significa a neutralização da principal arma dissuasória do Hamas contra Israel pois rompe o balanço estratégico até então existente entre os dois lados. Diante desta realidade, uma alternativa será a do Hamas abandonar a luta subterrânea e optar pela luta acima da terra. Para isto, o exército israelense já mostrou deter supremacia, além de contar com a cobertura aérea.  É plausível que diante desta encruzilhada, o Hamas opte por manter a “paz armada”. Solução aceitável por Israel. Mesmo assim como não pode confiar na lógica do adversário, Israel deve estar pronto para todos os cenários possíveis.


Jorge Zaverucha é Mestre e Doutor em Ciência Política pelas Universidades Hebraica de Jerusalém e Chicago, respectivamente. Atualmente é professor titular do Departamento de Ciência Política da UFPE.

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