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Os Penitentes

Por Heloisa Pait
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Na tradicional visita pré-eleitoral às sinagogas paulistas, feita no dia anterior, algo tinha impressionado o governador. Nos outros anos, tratava-se apenas de caça a votos e deferência a uma comunidade que, convenhamos, causava poucos problemas e reivindicava ainda menos. Mas ontem tinha sido distinto. O quadro eleitoral era confuso e as chances do governador ser eleito presidente, a cada dia menores. O governador tinha o peito apertado e via, nos judeus que iniciavam o jejum, um espelho de sua própria apreensão. Acomodou-se numa cadeira em frente à biná, o púlpito, ao lado de outros políticos que concorriam nesse pleito, judeus eles mesmos ou com base eleitoral nessa comunidade.

O cantor, que conduzia a reza, anunciou a presença de todos, recebida sem aplausos ou vaias. E arrematou: “Sejam todos bem vindos e chatimá tová pr’oceis.” E a reza começou. Chatimá tová exprime o desejo de que o nome do interlocutor seja selado no livro da vida, não é uma expressão leve como desejar um feliz ano, que os judeus dizem na semana anterior. Essencialmente, exprime o desejo de que o outro consiga superar todos os obstáculos do destino e num próximo Yom Kipur esteja ainda vivo. Ou seja, inclui em si a possibilidade oposta. A solenidade dos votos de chatimá tová alida à contração vulgar da preposição com o pronome foi percebida pelos menos distraídos com os preparativos da celebração ou com as crianças andando pela sinagoga, mas não era algo incomum entre os judeus, capazes de nivelar o sagrado e o profano, o sério e o lúdico, o ontem e o hoje em tantas de suas tradições.

O próprio governador não deixou de notá-la. Esses judeus tinham um jeito engraçado de lidar com as autoridades. Nem os eleitores lhe eram deferentes, nem seus apoiadores lhes cobravam serviços. O governador se sentia, na imensa sinagoga, um homem comum. E lembrou, com um raro sorriso na cara, o dia em que foi visitar o projeto Chaverim, de apoio a adultos com necessidades especiais, e ouviu de um dos atendidos um verdadeiro pito, primeiro por estar lhes tratando como crianças, em segundo por não ter feito no estado programas semelhantes ao que ele participava.

Perguntava-se se não devia trazer um desses chaverim para lhe assessorar, livrando-se de alguns sicofantas que havia escolhido a dedo, exatamente por sua incapacidade de questionar qualquer coisa, quando o dolorido chamado de Yom Kipur, o Kol Nidrei, foi entoado como se o fim dos tempos tivesse chegado.

Tudo isso tinha sido ontem. Hoje, quando os judeus jejuavam, o governador tomava café num hotel na Paulista com empresários e trabalhadores do setor de turismo. Repetia frases feitas, ausente: turismo é renda para o país, vamos qualificar o trabalhador do setor turístico, e principalmente, turismo é cultura. Não empolgava nem incomodava ninguém. Sentia vontade de jejuar, com os judeus, de procurar seu eixo e sumir por alguns dias, como o abilolado do Suplicy, de ir às montanhas como o estroina do cabo que concorria ao mesmo cargo que ele, governador do Estado mais rico da nação.

De lá iriam para o Mercado Municipal, onde passavam milhares de pessoas por dia. Falaria com todos, comeria imensos pastéis de bacalhau e altíssimos sanduíches de mortadela. Tomaria sucos de inúmeros sabores, para deleite dos cinegrafistas. Gostava do Mercado Municipal. Nunca havia sido prefeito de São Paulo, o que lhe causava uma mágoa profunda. São Paulo era, para todos os efeitos, a verdadeira capital, era de onde vinha toda a energia do país. Ficava lá exilado no Palácio dos Bandeirantes como um caipira que não pode entrar na casa dos patrões por estar descalço e de pé sujo. Ele e seus tropeiros, comendo farinha e toucinho. Não por ideologia, pois na política rezavam na mesma cartilha, mas por pura inveja, detestava os políticos de seu partido com aquele pedigree de nobre italiano, que frequentavam a Sala São Paulo e faziam curso na casa de jornalistas descolados, sentados em poltronas fofas.

Fazia enormes sacrifícios pelo seu país, até mesmo se aliar aos que podiam de fato, junto com ele, tirar o país do pântano onde se encontrava. Ainda seria prefeito de São Paulo, pensou determinado, por um instante esquecendo que concorria a cargo muito mais elevado.

Havia no dia mais três eventos, que ele mesmo havia insistido em participar, para evitar pensar na derrota iminente. Disse aos assessores que não iria aos compromissos da tarde, mandou todos para casa menos os seguranças, passou no comitê para lavar o rosto, escovar os dentes, tirando da boca aquele gosto amargo de mortadela, e relaxar no sofá por meia hora. Colocou uma roupa mais informal, pediu aos seguranças que ficassem um pouco afastados dele, e depois ao motorista que o deixasse na Praça Villaboim. Higienópolis? Isso. Mas que endereço, governador? A praça mesmo.

Começava a se sentir bem. Estava afinal na cidade em que morava há décadas, que era também sua. Permitia-se sentar no banco de uma praça charmosa, segura, no coração de um bairro elegante. Tinha nas mãos uma revista de arquitetura moderna, comprada na banca farta por um dos seguranças. A revista era em francês e o governador entendia pouco do tema, mas servia para ficar sozinho, anônimo, olhando os cachorros passarem.

O sol batia no seu rosto e crescia o desejo de ser prefeito daquela cidade tão bacana. Talvez nem prefeito, apenas sub-prefeito da Região do Centro, para se concentrar e fazer o que tinha que ser feito, resolver mesmo os problemas do bairro. E as eleições? Nas mãos de quem ficaria o país?

Era o que se perguntava o velho rabino, em seu espaçoso apartamento, a poucos metros dali. Um jarro de água fresca descansava sobre o antigo aparador ao lado de copos limpos, e todos na sala de estar alternavam entre a conversa sobre a política e o olhar sedento ao jarro proibido. Haviam trazido o rabino para casa, entre uma reza e outra, e aproveitavam para botar a conversa em dia.

Eram, ao todo, seis homens. O próprio rabino, também ele uma espécie de político, cujos dias heroicos haviam ficado para trás, mas cujo prestígio ainda lhe conferia uma guarda de honra, e além dele o jovem sicofanta que o governador cogitou trocar por um dos chaverim; um velho livreiro desanimado com os hábitos de leitura das novas gerações; um homem bonito, alto e loiro, que, se não era lá muito inteligente, também não era nenhum pobretão; um menino ruivo e sardento que cada um achava ser filho ou neto de um dos outros; e ainda um professor de matemática russo, de cabelos muito pretos e olhar sonhador, que havia pedido para se juntar ao grupo pois estava longe da família e se sentia muito só no Yom Kipur.

O sicofanta era, aparentemente, o mais desesperado. Havia construído a vida se aproximando das figuras mais importantes do partido que agora se estraçalhava nas urnas. Mesmo que fosse eleito deputado, de que adiantava se seu prestígio vinha do governador, e não dos votos? Era jovem, mas não tão jovem que pudesse virar a página. Se tivesse sagacidade ou iniciativa – chutzpa, como os judeus dizem – poderia reinventar o partido, mas era lúcido o suficiente para saber que não tinha.

O russo resignava-se. Havia visto coisa pior; seus pais, pior ainda; e seus avós, inimaginavelmente pior. Que eram esses parvos comparados a Putin, Brejnev ou Stalin? Pensava na mulher e nos filhos visitando parentes. E se começasse uma guerra? Bem, não seria a primeira. Achou na estante do rabino uma tradução de Pushkin para o português e começou a ler, como se assim aprendesse um pouco sobre essa língua tão estranhamente familiar que era a do país onde estava.

O belo investidor era o mais otimista. As pessoas vão sair do país, qual o problema? Não é sempre assim? OK, as organizações comunitárias vão ter menos sócios, vai ser mais difícil, mas por outro lado as organizações dos outros países vão ter mais, não é? Então somando, ficamos na mesma. Ele ria, pois rico ri à toa. A beleza e o dinheiro trazem felicidade, mas a burrice a multiplica.

O menino ruivo ouvia a tudo atento, como se fosse fazer uma prova ao final da conversa. Parecia assustado com a disparidade das opiniões dos adultos. Qual era a verdade? Essa eleição era assim tão terrível? Os judeus teriam que sair do país? Se os adultos não sabiam o que era melhor, por que as crianças não votavam? As perguntas todas se juntaram numa só, que fez sem pedir permissão: “Como vai ser depois da eleição?”

O livreiro soltou um suspiro. Um candidato era contra os livros. O problema do país, dizia o político, era que havia livros nas escolas, o que era inadmissível. O livreiro não quis ser pessimista com o garoto, então deu conselhos: “Seja lá onde você estiver, garoto, leia.” Todos riram, e lembraram o velho que não se pode fazer negócio no Yom Kipur, nem propaganda. “Estou mandando ele estudar, como assim propaganda?”, ele respondeu indignado. “Não pode?” Os outros concordaram que, dando um jeitinho, pode tudo. E olharam a jarra de água buscando desculpas para levantar, encher um copo e voltar como se não fosse nada.

O rabino, por fim, contava casos do passado nos quais ele era o líder correto e incompreendido, incontestável e escanteado. A vaidade do rabino e o poder do governador os faziam irmãos no momento. Às visitas parecia que o rabino emitia mensagens éticas através das parábolas e que as menções a um ou outro romance proibido só estavam lá para prender o interesse. Passava-lhes pela cabeça que o rabino usava as visitas como psicanalista para seus próprios erros, dramas, e arrependimento, mas a fome e a sede não lhes deixava aprofundar o raciocínio.

O matemático, ainda explorando a biblioteca do rabino, deu de cara com um livro de histórias judaicas impresso em Odessa. Debulhou-se em lágrimas e pediu para ler em voz alta algumas histórias – curtas, cômicas, mais piadas em forma narrativa que contos ou crônicas – pois seu avô, grande arquiteto afastado precocemente do ofício pelo regime, era excepcional humorista, que é o que mantinha a loja de ferragens onde trabalhava sempre cheia de clientes, mesmo quando não havia nada para vender.

Todos assentiram, mas o matemático ainda insistiu, como se precisasse de uma permissão adicional, explicando que seria uma homenagem singular a seu avô, ler as piadas de Odessa no dia sagrado de Yom Kipur. E assim os judeus esqueceram um pouco tanto os problemas mundanos quanto as exigências sagradas, enganando a fome com o riso solto, ainda que intercalado com o lamento doído das tragédias da linda Odessa.

O governador, já mentalmente eleito prefeito de São Paulo, encorajado pela praça cuidada, civilizada, pelo sol luminoso de inverno, dirigiu-se à padaria Barcelona para tomar um café. Não estava em campanha, não pedia votos. Apenas aproveitava sua cidadania recém-conquistada, seu anonimato precioso, sua liberdade paulistana. Mas na padaria foi reconhecido, pagaram-lhe o café e fizeram-no comer sonhos saídos do forno. Deram-lhe sugestões para fazer a campanha decolar. Explicaram-lhe as razões do fracasso. “Não se trata mal a um Matarazzo,” disse-lhe um senhor muito idoso, como se tivesse sido funcionário do próprio bisavô do político de hoje. E repetiu: “Não se trata mal a um Matarazzo.”

O governador se desvencilhou dos eleitores sem dificuldade pois Herson Capri, o ator de novelas, entrou para comprar pão de linguiça. Caminhou pelo bairro com os seguranças atentos mas mantendo distância. Subiu a Rua Bahia, pois queria fotografar um prédio bonito com uma varanda curva, tão delicada. Perguntou o valor para o porteiro, que foi vago mas acabou dizendo um preço, acima do que o governador podia pagar. Desceu quase até a Albuquerque Lins, e sentiu saudades do Messias, que lhe consertava os relógios de família, quando vinha para São Paulo. Subiu de volta, Aracaju, aí pegou a Avaré, voltas e voltas, praças, balões, por que os bairros não eram todos assim, cheios de árvores? Não estava fora de forma. Com as comitivas de campanha, sentia que era carregado e que os carregava, tudo era pesado. Aqui andava leve. Estava quase de volta. Seu único problema era vencer uma eleição.

Sentou no mesmo banco da praça, a eleição. Havia investido tudo em ser candidato, e agora apenas um em cada dez eleitores o queria presidente. Nem em seu estado ia bem, quanto muito nos outros. Tanto trabalho pra quê? Onde havia errado? Será que os judeus sabiam? Se soubesse, falariam, como o moço chaverim. Com exceção daquele sicofanta, que tremia todo quando o via, os judeus falavam. Moisés não tinha também perdido seu rebanho, e depois os agregou novamente?

Os judeus tinham know-how nisso, tinham expertise. Iam de um canto ao outro, e nunca se perdiam uns dos outros. Na sinagoga, tinha entreouvido dois homens conversando: “Shaná Tová!” “Shaná Tová!” “Você está aqui, agora?” “Bom, eu moro aqui.” “Ué, não morava nos Estados Unidos?” “Não, você deve estar confundindo...” “Confundindo o quê? Desejei bom ano a você.” E o confundido concordava, que diferença faria se era ele mesmo ou o outro que morava fora? “Um ano doce para você e para sua família!”, desejou sincero, e os dois se abraçaram, logo antes da reza começar. Alguma coisa os judeus sabiam, não era possível! Alguma receita, algum truque. Como tinham feito o Estado de Israel? É que tinham líderes, sabiam falar ao povo. E o Hospital Albert Einstein, onde estava aquele presidente que disse que ia...?, e o hospital que era enorme, uma comunidade tão pequenininha, aquele hospitalzão. É que quando decidem algo, vão lá e fazem. Por isso também que era preciso os sicofantas, pois se chamasse os outros já iam querer dar as cartas, se até o chaverim vinha cantar de galo.

Queria ter ouvido mais as pessoas. Aquele italianinho, quando era prefeito, foi dar aulas no primário para ver qual era o problema. Já ele ficou fechado entre os assessores do Palácio e os prefeitos do interior, que pensavam todos como ele. Nunca seria prefeito da capital. Era o prefeito dos prefeitos paulistas e queria ser o prefeito dos prefeitos brasileiros. Devia ter atendido pacientes uma vez por semana, devia ter dado aulas à noite, o Suplicy dava. Na faculdade. Devia ter escutado as pessoas, teria visto esse ódio todo, agora era tarde.

Agora era tarde, pensou emocionado. Num rompante, sacou o celular do bolso e ligou para um Matarazzo. Caiu na caixa postal. Deixou recado em prantos, pedindo perdão. A cidade é sua, Andrea. É sua. Eu estou aqui na praça Villaboim, antes fui no Mercado Municipal, na Paulista. Pensei muito e reconheço: é sua, é sua. Perdão.

Por um instante, teve medo de Deus. Deveria ter guardado luto pelo filho. Não que não tivesse sofrido, tinha. E muito. Mas os mortos precisam do luto, merecem o luto. A política era tudo, é verdade. Mas tudo precisa de pausa. Sentiu-se só pois nesse caso não podia sacar o telefone e pedir perdão. Quem passava via um velho sozinho chorando na praça. Deve ter perdido a esposa, pensavam, parecido com o governador. A pena das babás uniformizadas o confortava. Era um velho sozinho chorando na praça, era parte da cidade que não o elegeu. Sentia-se eleito, finalmente. Quando se recompôs, as cores da praça estavam mais vivas, as árvores mais nítidas. Via pássaros nos galhos e lixos plásticos no chão que antes não tinha notado. Queria voltar aos devaneios dolorosos, pois a eleição lhe parecia ainda pior. Difícil haver outra para ele, e francamente talvez fosse a última de toda a sua geração. Precisava ganhar, e não era mais por ele, era pelo Brasil. Se perdesse, como faria? Como agregar o seu povo, pensava, como se fosse um Moisés, ao menos para manter o país dentro da democracia? Era só um gerente, um gestor, não era líder na hora que mais tinha que ser. Tão hábil no partido, trocando afagos e cargos, tão sem ação diante das pesquisas.

Levantou mais uma vez, decidido. Os seguranças o acompanhavam atrás, sem alarde. Admiravam o modo tranquilo com que o governador perdia o equilíbrio. Outro xingaria assessores ou se afogaria no álcool. E ele simplesmente chorava na praça. Pena, merecia ser presidente, merecia mesmo. Caminhou pela Rio de Janeiro, os seguranças pensaram, vai lá no ex-presidente, vai chorar as pitangas, vai armar um barraco, finalmente. Mas não. Ia falar com o rabino. Ia pedir conselhos, talvez desabafar. Ia ouvir histórias, não sabia exatamente o quê, mas ia falar com o rabino. Temia o olhar severo do homem e mais ainda a compaixão, se houvesse, pois que perdão haveria por perder essa, justo essa eleição? Temia, acima de tudo, aquele olhar dos judeus que não era nem de julgamento nem de absolvição, aquele olhar que entendia.

Depois da curva que a rua fazia no Pacaembu, acenou para o porteiro, que o confundiu com o seu Gilberto, do 42. Temia por seu partido, por si, pelo Brasil. Temia pela democracia e até pelos judeus, na verdade. Temia pelo estado de São Paulo e só não temia pela cidade de São Paulo pois essa sempre encontrava uma maneira de seguir seu destino. Temia pelo que fosse ouvir, como se estivesse prestes a receber uma sentença. E mais ainda pelo que pudesse dizer, temia tudo.

Desceu as escadas que davam para o apartamento e ouviu as gargalhadas dos judeus em jejum. Vinham da casa do rabino. De que será que riam? Viam um filme, que faziam? O governador ficou ouvindo as piadas de Odessa, em memória ao avô do professor russo, mas a graça lhe escapava. Pensou em ir embora, perguntou-se o que fazia ali, e tocou a campainha. Os judeus fizeram silêncio. Quem seria? O menino ruivo levantou-se e, em frente à porta, perguntou: “Quem é?” O governador respondeu, com sua voz conhecida. “É o governador.” O menino estudioso, com as histórias de Flavius Josephus na cabeça, pensou em governadores romanos vindo impôr seus deuses e coletar tributos. “Governador de onde?”, perguntou. “Governador do Estado de São Paulo”, respondeu o governador, dando-se conta finalmente de toda a grandeza do cargo. O menino olhou para o grupo, que fazendo todos o mesmo gesto, um ombro inclinado para a frente e a cabeça para o lado, diziam: “Bem, abra a porta.”

O menino assim o fez e deu de cara com o homem das propagandas, só que sem terno e mais real. O governador, por sua vez, deu de cara com um menino ruivo, de olhos pequenos, e cabelos que se espetavam em todas as direções. Pensou que lhe aparecia à frente uma espécie de anjo, cuja imagem o paralisava. O garoto, muito lido e esperto, de etiqueta não sabia tanto, e ficou olhando o governador até poder conciliar a imagem da TV ao homem à porta. Até que se ouviu, de dentro do apartamento, a voz lenta do rabino dizendo: “Entra, governador!”.


Heloisa Pait, PhD pela New School for Social Research, é professora da UNESP e investiga a relação entre meios de comunicação e cultura democrática. Ela participa ativamente dos debates públicos nacionais e também escreve ficção.

Os textos dos nossos colaboradores não refletem, necessariamente, as posições do instituto.

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