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O futuro do acordo entre Israelenses e Palestinos

Por Guga Chacra
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Há um consenso de que o futuro Estado palestino, quando houver um acordo com Israel, ocupará a maior parte da Cisjordânia. Os principais blocos de assentamento, próximos da fronteira pré-1967, seriam anexados por Israel em troca de áreas aproximando a Cisjordânia da Faixa de Gaza.    

Mas e os assentamentos que ficam mais para o interior da Cisjordânia deveriam ser desmantelados? Na minha avaliação, não. Assim como acho repulsivo quem cogita transferir os palestinos de cidades na Cisjordânia para a Jordânia, acho também errado retirar os colonos de onde eles vivem. Assentamentos como o de Ariel têm de ficar onde estão. Retirar os moradores é limpeza étnica. Tem adultos que nasceram e cresceram nestas colônias.   

Estes assentamentos judaicos podem ser parte da Palestina ou ilhas israelenses dentro do território palestino. Sei que dá aflição em quem quer mapas contínuos. Mas o conflito israelense-palestino exige criatividade para a resolução.   

Caso se opte pelos assentamentos serem território palestino, seus habitantes precisam ter o direito à cidadania palestina, se assim o quiserem, ou a um direito de residência similar ao Green Card. A segurança é um tema complexo neste caso e talvez precise ser terceirizada para uma empresa privada israelense atuando em coordenação com a polícia palestina. O ideal, no longo prazo, seria Ariel ser uma cidade judaica na Palestina assim como Nazaré é uma cidade árabe (cristã e muçulmana) em Israel.   

Por outro lado, se a alternativa for a de ilhas de Israel na Cisjordânia, os habitantes teriam a cidadania israelense e a segurança dos assentamentos seria em coordenação das forças de Israel com a polícia palestina. 


Guga Chacra é comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York e mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia.


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