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A verdade sufocada

Por Danilo Cymrot
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Era uma vez uma pátria próspera e feliz chamada Egito. A população amava seu Faraó, as famílias eram unidas, o agro carregava o país nas costas, os filhos obedeciam aos pais, todos cumpriam com o seu dever cívico e as crianças ocupavam seu tempo louvando os deuses. No entanto, tal prosperidade começou a atrair cada vez mais imigrantes com valores e costumes estranhos e contra aqueles praticados pelos legítimos egípcios. Esses imigrantes, apesar de fazerem uso de todos os benefícios sociais de se viver em um país rico, se recusavam a aceitar o modo de vida egípcio, o que era uma grande hipocrisia. A população dos imigrantes começou a se multiplicar cada vez mais, as projeções apontavam que os tradicionais valores egípcios estariam ameaçados de desaparecer em pouco tempo e que os egípcios se tornariam minoria em sua própria terra, forçados a circuncidarem seus filhos nas escolas públicas. Além disso, havia vários indícios (provas, talvez) de que os imigrantes, com ideologias alienígenas, cada vez mais numerosos e influentes, estavam se articulando para dar um golpe de Estado e instalar uma ditadura que levaria o Egito a se tornar uma Judeia.

O povo egípcio não assistiu a essa ameaça inerte, no entanto. Foi às ruas e clamou por uma intervenção do Exército do Faraó para salvar a democracia egípcia e seus valores. Atendendo, pois, aos clamores populares, o Faraó liderou uma redentora revolução para proteger os cidadãos de bem da invasão dos perigosos imigrantes e do caos social. A mamata acabou. Depois de anos vivendo como parasitas, mamando nas tetas do Estado egípcio, os imigrantes foram colocados para trabalhar. Lamentavelmente, os descendentes dos imigrantes atualmente dominam a mídia e universidades e difundem fake news e vitimismos. Nunca houve escravidão no Egito. Os egípcios, inclusive, nunca pisaram na Judeia. Os próprios imigrantes imploravam trabalho para os egípcios. É verdade que o trabalho dos imigrantes era duro, mas assim como não se combate bandido entregando flores, não se constroem pirâmides discutindo filosofia e sociologia nas universidades. Além disso, as normas de segurança para se construir pirâmides eram tão complicadas de seguir que qualquer probleminha já era pretexto para se acusar o Faraó de utilizar mão de obra escrava. Não era fácil ser Faraó no Egito. No tocante às acusações de maus tratos físicos, pode ter havido alguns excessos, sob violenta emoção, mas vieram dos dois lados.

Enfim, o Egito vivia novamente próspero, longe da ameaça de se tornar uma Judeia. Eis que governos estrangeiros começaram a financiar grupos terroristas travestidos de “movimentos sociais”. Para isso, fizeram um trabalho de lavagem cerebral dos jovens e conseguiram cooptar Moisés, um esquerdista-caviar hipócrita, que nunca tinha trabalhado na vida, que usufruía da riqueza do Faraó e do trabalho dos imigrantes, que havia sido salvo e adotado pela família do Faraó depois de ter sido abandonado por sua mãe imigrante em um cesto no rio, mas que quis catapultar sua carreira política colocando-se como líder dos imigrantes. Uma personalidade oportunista, ingrata e traiçoeira. Seu primeiro ato terrorista foi assassinar de forma covarde e sorrateira um soldado egípcio de apenas 18 anos de idade que estava apenas cumprindo com o seu dever, protegendo o patrimônio público das pirâmides. Enquanto os direitos humanos massacravam o Faraó e se solidarizavam com os imigrantes, nenhum deles se solidarizou com a família do humilde soldado egípcio vítima do terrorismo de Moisés.

Moisés começou, assim, a dividir o Egito, que até então vivia em harmonia. Criou o “nós contra eles”. Os trabalhadores imigrantes, que eram muito gratos ao Faraó e tratados por ele como se fossem da família, começaram a exigir uma série de privilégios que, se concedidos, arruinariam a economia egípcia. O Faraó até tentou negociar, dizendo que ou se trabalhava naquelas condições ou não haveria mais trabalho, mas o líder radical e fanático Moisés estava irredutível. Dizia que sua guerra era santa, que agia em nome de deus. Invadiu as fazendas egípcias, destruindo o trabalho do setor produtivo responsável por colocar comida na mesa dos cidadãos de bem. Como os vândalos eram contra o uso de agrotóxicos, as plantações foram infestadas de gafanhotos. Os animais foram contaminados com sarna. Houve apagão. Os fazendeiros pediam ao Faraó lanças para poderem se defender e restaurar a ordem e o progresso, mas nada foi feito. Finalmente, no atentado terrorista mais sangrento assassinaram, em uma única noite, os filhos primogênitos dos egípcios, de todas as idades, enquanto dormiam. O Faraó, arrasado com a morte de seu próprio filho, teve de se submeter à chantagem dos terroristas. Apesar de a esmagadora maioria dos imigrantes querer permanecer no Egito, onde as condições de vida eram infinitamente melhores que as da Judeia, foi forçada por Moisés a aderir à sua revolução e a passar quarenta anos no deserto, em acampamentos precários, alimentados apenas por pão, sem mortadela e sem fermento, devido à crise de abastecimento geral.

A doutrinação ideológica foi imposta nas escolas, onde professores-militantes contam todos os anos para as crianças uma versão totalmente distorcida da realidade. A versão dos terroristas chegou até a ser filmada pela Disney, com dinheiro da Lei Rouanet. Mas a verdade sufocada uma hora há de prevalecer.

OBS: o Faraó na realidade sempre foi de esquerda. Afinal, era contra o livre mercado.


Danilo Cymrot é mestre e doutor em Criminologia pela Faculdade de Direito da USP.

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