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Terceira dose em Israel começa em ritmo acelerado

Por Daniel Gateno
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Em Israel, 90% dos novos casos de covid-19 são fruto da variante delta, identificada inicialmente na Índia (Foto: JACK GUEZ/AFP via Getty Images)

Israel começou a aplicar a terceira dose da vacina contra a Covid-19 em pessoas com mais de 60 anos no país. A nova etapa da imunização foi iniciada no começo do mês de agosto.

De acordo com o governo do primeiro-ministro Naftali Bennet, a vacinação do grupo prioritário está ocorrendo em ritmo acelerado. Cerca de 600 mil israelenses com mais de 60 anos já receberam a nova dose. Este número representa um terço da população que está elegível para receber a imunização.

A terceira dose da vacina é uma tentativa do governo israelense de proteger mais a sua população vulnerável da variante Delta. Israel anunciou também novas medidas para conter o avanço da Covid-19 no país como o retorno ao trabalho em regime de home office e a obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços abertos em ambientes com capacidade superior a 100 pessoas. Máscaras em lugares fechados já eram obrigatórias desde o final de junho.

O governo tenta manter o país aberto, mas com restrições para não colapsar os hospitais. Com a atual situação epidemiológica do país, a população israelense já teme um novo lockdown.

No último domingo (8), Israel registrou 3.156 casos de coronavírus e 7 mortes da doença.

OMS é contra o inÍcio da terceira injeção contra a Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que é contra o começo da aplicação da terceira dose da vacina. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus declarou que entende a preocupação dos países com a variante Delta, mas que é importante providenciar vacinas a nações que têm uma baixa porcentagem de vacinados em suas populações.

Do total de 4 bilhões de doses aplicadas no mundo, cerca de 80% foram para países de renda alta e média.

Alemanha e França devem repetir o exemplo de Israel e começar a imunizar pessoas do grupo de risco com a terceira dose da vacina a partir de setembro.

Para comparar, segundo o site Our World Data, o continente africano tem apenas 1,95% de pessoas totalmente imunizadas e 1,86% de vacinados com apenas uma dose. Israel tem 62% de sua população totalmente imunizada.

Israel ignora orientação da OMS e se preocupa com o aumento da variante Delta

Apesar da alta taxa de imunizados e da vacinação em terceira dose dos grupos prioritários, o governo mantém cautela sobre os próximos passos em relação a medidas para o enfrentamento da Covid-19.

Na noite de segunda-feira (9), o governo americano recomendou que seus cidadãos não visitem Israel por conta da alta taxa de casos de coronavírus. Washington acrescentou que até mesmo turistas vacinados podem pegar o vírus e transmitir a doença.

O ministério da Saúde israelense estuda incluir os Estados Unidos na lista de países em que os cidadãos não podem viajar.

Israel espera que as novas medidas restritivas possam acabar com a possibilidade de um novo lockdown no país.


Daniel Gateno é aluno de Jornalismo da PUC-SP e estagiário da BandNews FM. Em 2018, morou em Israel e escreveu artigos sobre os 25 anos dos Acordos de Oslo e a mudança da embaixada americana para Jerusalém. Participou do movimento juvenil Noam, de 2011 até 2020.

Os textos dos nossos colaboradores não refletem, necessariamente, as posições do instituto.

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