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O novo precedente em Jerusalém

Por André Lajst
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O atentando terrorista que matou dois policiais israelenses de origem drusa e abalou Jerusalém na última sexta-feira, 14 de julho, abre um novo precedente no conflito palestino-israelense, acirrando o clima de rivalidade entre diferentes grupos dentro de Israel.

O primeiro ponto a se entender é o lugar onde ocorreu o atentado. O Monte do Templo (para os judeus) ou Esplanada das Mesquitas (para os muçulmanos) é sagrado para ambas as religiões. É a primeira vez na história que um atentado com arma de fogo ocorre dentro deste santuário.



O segundo ponto é a origem dos terroristas. Os três são israelenses de Umm al-Fahm, cidade árabe no norte do país, não possuíam histórico na polícia e também não eram procurados por suspeitas de envolvimento com terrorismo.  

O terceiro ponto é o que ocorreu depois do atentado. Na busca por informações para a investigação, autoridades de Israel ordenaram o fechamento do Monte do Templo/Esplanada das Mesquitas e a retirada de todos os civis. É a primeira vez, desde 1967 - ano da Guerra dos Seis Dias, quando Israel conquistou a região -, que o país promove a evacuação do local. Toda sexta-feira, as rezas na Esplanada das Mesquitas reúnem em torno de 40 mil fiéis muçulmanos. Na última sexta, elas foram canceladas.



O novo precedente pode gerar revoltas e tensões.

A possibilidade de que o episódio motive outros jovens a cometerem atentados é extremamente preocupante. Estudos sobre terrorismo revelam que quando um atentado cometido por um “lobo solitário” é bem sucedido, ele motiva outros.


Além disso, o fato de Israel ter fechado a Esplanada das Mesquitas gerou protestos de diversos países e pedidos de reabertura imediata. No passado, tensões envolvendo o local deflagraram a Segunda Intifada, levante palestino nos anos 2000, e serviram de justificativa para diversos ataques com facas em 2015 e 2016.

O fechamento da Esplanada, mesmo que por poucos dias, é uma ação inédita e a consequência pode ser mais violência.


André Lajst é cientista político

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