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Demolir casa de terrorista não traz segurança

Por André Lajst
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Esta semana, Israel foi sacudida por um atentado que matou três israelenses em Har Hadar, assentamento na Cisjordânia. O terrorista, um palestino de um vilarejo também na Cisjordânia, além de não possuir antecedentes, trabalhava com israelenses.

A reação do governo foi rápida. Condenou o atentado e anunciou três medidas de segurança: a demolição da casa do terrorista, o bloqueio da vila onde ele morava e a suspensão do visto de trabalho de seus familiares. Alguns viram as medidas como dissuasoras; outros, como punição coletiva.

Decisões como essas, logo após o ataque, são populares e acalmam os ânimos da população, que muitas vezes anseia por respostas firmes por parte do governo. Mas a vontade popular nem sempre é a mais racional.

A destruição de casas de terroristas palestinos nunca foi efetiva. Segundo o general da reserva do exército israelense, Aryeh Shalev, a medida foi criada para servir de dissuasão, na crença de que os terroristas pudessem abrir mão de suas ações por temerem por suas famílias. Porém, a estratégia é falha. Em muitos casos, os ataques aumentaram.

Em parte, isso se deve pelo fato de que há inúmeros doadores no mundo árabe dispostos a reconstruir casas demolidas, tornando-a um símbolo de resistência. No passado, essas doações vinham de Saddam Hussein, ex-ditador do Iraque. Hoje, esse dinheiro vem do Catar e do Irã, ambos países comprometidos com setores radicais da sociedade palestina.

A decisão do governo encontrou críticas também no aparato de segurança israelense, não somente do ponto de vista da efetividade da ação na redução de atentados, mas também pelo fato de o ataque ter sido considerado um ato isolado. Respostas que penalizam milhares de pessoas prejudicam a relação mais ampla entre israelenses e palestinos.


André Lajst é cientista político

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